Quantas Mais As Gentes, Mais Contentes
Dezembro 31, 2007
Agora que o Porto é que tem o maior falo com luzes, erguido pelo banco cristão que nalguns casos perdoa, o Terreiro do Paço fica mais livre para a tradicional filmagem do fogo de artifício com telemóveis.
Os que medem o tempo em obras não hão-de querer saudar o tempo que voa. Talvez prefiram escolher uma boa T-shirt para o ar higiénico de Janeiro.

Podem ir a Despair, Inc. e escolher algum objecto do seu vasto programa de Desmotivação. A Igreja católica espanhola vem dizer que a descrença tem levado ao desespero, logo, à desagregação da família e ao aborto. E, se tivermos em conta a lista de «males modernos» que as duas Igrejas Católicas peninsulares assinam, presume-se que leve à homossexualidade.


O desespero também é a energia com que arranhamos o tempo - durante algum tempo, diria a voz do poema «Tabacaria». Melhor que nada. Uma camisola a dizer Melhor que nada já é alguma coisa. O desespero é civilização e história da filosofia.
Mesmo no contexto católico, o desespero é um pecado venial, ou seja, digno de perdão, e não causador de distância irremediável para com Deus. A maior prova de fé é a heresia (Pascoaes).
A passagem de ano é uma boa figuração do espírito deste tempo, que cabe no lema em inglês the more, the merrier: quantas mais as gentes, mais contentes. Uma maré de telemóveis onde quem vê só vê uma miniatura do céu para mandar a quem também só viu uma miniatura não pode ser um bom começo.
Só se pensa com distância. Os menos ansiosos ideologicamente podem ir a Defunker
buscar um bom emblema para o seu afastamento.

Quem não se encolhe com o frio pode acreditar no corpo e no cliché e sair para aclarar as ideias. Defunker aceita encomendas e também propostas gráficas, através de e-mail, para publicação em pano com mangas curtas.

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