“Não fugir…” (Cristovam Pavia)
Março 21, 2008
Não fugir. Suster o peso da hora
Sem palavras minhas e sem os sonhos,
Fáceis, e sem as outras falsidades.
Numa espécie de morte mais terrível
Ser de mim todo despojado, ser
Abandonado aos pés como um vestido.
Sem pressa atravessar a asfixia.
Não vergar. Suster o peso da hora
Até soltar sua canção intacta.

Odilon Redon, “Velho alado barbudo”, 1895 (pastel sobre papel).
Cristovam Pavia – Lisboa, 1933-1968.