Às Vezes, Muito Raramente

 

Quando pouco na vida nos consola
do tempo, esse verdugo indiferente,
às vezes, muito raramente, na monotonia da noite,
entre repetidos sonhos, surge uma imagem
que reflecte o desejo que ali deixámos
e um rosto – a sua remota aparência – reconstrói
um intenso instantâneo da felicidade.
Quando tão misterioso privilégio nos chega,
despertarmos depois é viver o inferno:
não aquele jogo de chamas e demónios,
mas antes o demónio da luz de novo,
o fogo do primeiro cigarro.

 

 

 

3 Respostas para “Um Nocturno (Juan Luis Panero)”

  1. violeta13 disse

    delicadamente, a “fuguês” da plenitude.

  2. violeta13 disse

    errata: onde se lê “fuguês” deveria ler-se “fuguez”

  3. dramapessoal disse

    Bom, “fuguez” é muito interessante. “Fugacidade” é cordato e literato. Há quem procure na língua, e há quem faça aquilo de que precisa.

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