Nem com o tempo

Junho 5, 2008

 

Minibiografia

 

Não me quero com o tempo nem com a moda,
Olho como um deus para tudo de alto,
Mas, zás! do motor corpo o mau ressalto
Me faz a todo o passo errar a coda.

Porque envelheço, adoeço, esqueço
Quanto a vida é gesto e amor é foda;
Diferente me concebo e só do avesso
O formato mulher se me acomoda.

E, se a nave vier do fundo espaço
Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo:
Logo me leve, subirei sem medo
À cena do mais árduo e do mais escasso.

Um poema deixo, ao retardador:
Meia palavra a bom entendedor.

 

 

Lisboa. Rua da Misericórdia. Ao cimo, à esquina, o Teatro da Trindade.
Mãe e filha (poeta Luiza Neto Jorge), fotografia da década de 1950.

 

2 Respostas para “Nem com o tempo”

  1. violeta13 disse

    as (pa)lavras da (v)ida…

  2. dramapessoal disse

    O trabalho aperta. Não há tempo nem cuidado para juntar palavras nossas. Ao menos temos poetas à margem da barulheira, e temos violeta13, com o seu talento para o golpe.

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