Uma janela que se revelasse indiscreta poderia esperar assim devagar? Não será a indiscrição o primeiro ponto de fuga? O acelarador de partículas?
O problema não estará tanto na velocidade das cenas mas na sua impessoalidade, quando se constituem e se mostram apenas para desabafar, a blogcheet… Ser indiscreto é criar acontecimentos a partir de todas as coisas, e todas as coisas se constituem em desabafos. O “desabador” é uma máquina que raramente produz drama e boa comédia. Os que esperam e às vezes adormecem nessa litania ainda não se sentaram à janela. Devagar. Se vê ao longe. Bem hajas!
É arrepiante a quantidade de palavras acidentais capazes de ter um sentido forte. Pode fazer-se colecção. “O Desabador”. Parece o nome de uma peça. São como uma outra dimensão da língua. A anti-matéria do que está dito. As palavras que ainda não foram possíveis. São imensas. Algumas já deviam existir. Mas é um risco lançá-las. Há o medo do absurdo. E há o perigo de nomear um facto social, que, segundo Marx, só assim nasce e passa a ser público. (Hamlet criou duas ou três). Salve!
Se optássemos por um discurso mais realista e provávelmente menos interessante, mesmo que com uma força mais especulativa, poderíamos dizer que nem todas as janelas são indiscretas porque nem todas mostram o que queremos ver. 90% dos blogues não mostram nada que se veja ou se leia. São o território por excelência da alegoria da caverna de Platão. Quer isto dizer que haverá sempre o perigo de nos tornarmos presunçosos, ao reclamar para nós uma espécie de visão que destrói tudo à volta para se afirmar. Mas, vale mais um bom presunçoso com vista que uma janela com tijolo…
Uma janela que se revelasse indiscreta poderia esperar assim devagar? Não será a indiscrição o primeiro ponto de fuga? O acelarador de partículas?
O problema não estará tanto na velocidade das cenas mas na sua impessoalidade, quando se constituem e se mostram apenas para desabafar, a blogcheet… Ser indiscreto é criar acontecimentos a partir de todas as coisas, e todas as coisas se constituem em desabafos. O “desabador” é uma máquina que raramente produz drama e boa comédia. Os que esperam e às vezes adormecem nessa litania ainda não se sentaram à janela. Devagar. Se vê ao longe. Bem hajas!
nota de correcção ao comentário anterior: onde está “desabador”, deve ler-se “desabafador”. Para que a ideia não desabe…
É arrepiante a quantidade de palavras acidentais capazes de ter um sentido forte. Pode fazer-se colecção. “O Desabador”. Parece o nome de uma peça. São como uma outra dimensão da língua. A anti-matéria do que está dito. As palavras que ainda não foram possíveis. São imensas. Algumas já deviam existir. Mas é um risco lançá-las. Há o medo do absurdo. E há o perigo de nomear um facto social, que, segundo Marx, só assim nasce e passa a ser público. (Hamlet criou duas ou três). Salve!
Todas as janelas são indiscretas.
Deixam ver…
mas também ser vistos…
Se optássemos por um discurso mais realista e provávelmente menos interessante, mesmo que com uma força mais especulativa, poderíamos dizer que nem todas as janelas são indiscretas porque nem todas mostram o que queremos ver. 90% dos blogues não mostram nada que se veja ou se leia. São o território por excelência da alegoria da caverna de Platão. Quer isto dizer que haverá sempre o perigo de nos tornarmos presunçosos, ao reclamar para nós uma espécie de visão que destrói tudo à volta para se afirmar. Mas, vale mais um bom presunçoso com vista que uma janela com tijolo…