Paisagem

Abril 6, 2009

 

O resto é paisagem, diz o cliché português. Para falar do que não conta.

Da Torre de Anto, de onde se poderia hoje voltar a ver a distância que António viu, nas suas gazetas visionárias, vê-se hoje aquilo a que se chama, no dialecto local, uma urbanização. Ou seja, um grupo de blocos colectivos distribuídos de acordo com um critério rodoviário.

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Numa pausa deste trabalho que nos tem afastado do blogue, recebemos um e-mail convidativo de uma imobiliária, que nos pareceu resumir toda a televisão que não vemos, e jornais que não lemos, cheios de segredos de justiça, e «casos» do futebol mais entediante de toda a Europa.

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Prometem-nos uma «moradia fantástica». Veja-se-lhe o preço. E a arquitectura, do melhor da escola clandestina portuguesa. Volume interior contra tudo em redor. Espreitámos na mesma altura o New York Times e uma selecção de casas a 130.000 dólares (faça-se a conversão para o nosso mercado suburbano e veja-se a paisagem). Escolhemos fotos de uma delas, uma casa anterior à guerra-civil, em Louisville, no Kentucky, redecorada em estilo eclético. Perdoe-se-nos a mistura caótica desta entrada.

 

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Mas o que temos pena de não ver é a paisagem da «moradia fantástica», no Casal da Mira. Temos apenas um resto, um volume de paredão amarelo com uma janela quadrada, e alguns cabos eléctricos livres de qualquer constrangimento. Na casa do Kentucky, como nota sentimental, veja-se o cartaz Porto Sandeman.

 

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3 Respostas para “Paisagem”

  1. violeta13 disse

    um retorno para ler em voz alta e sublimar a nossa necessidade de fuga(s).

  2. Acho que vou dar o fora !

  3. Paulo Veríssimo disse

    Não sei porquê e não estou a ironizar mas nos cartazes do sandeman sempre li sad man
    Aquela capa negra aliada ao copinho tem um dramatismo superior ao de qualquer personagem do Eisner

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