Postal de Lisboa

Julho 30, 2009

 

 

dramapessoal-blogue-postaldelisboa

 

 

foto dramapessoal
(luz crua: fotografia não-tratada)

 

Tivemos umas indignações cívicas, que já calámos e apagámos.
Preferimos fugir à opinião como fugimos ao «show aéreo» que atraiu duzentos mil – ó balão – ou fugimos às «actividades de Verão do agrado de todos» ou mesmo ao «campo de treino para jovens muçulmanos convertidos ao Islão», uma sugestão jornalística típica da época balnear.
Saudamos Merce Cunningham na sua partida, aos noventa anos, e podíamo-lo ter feito com outros, como o actor Karl Malden (ou Mladen Sekulovich, de mãe checa e pai sérvio). A perda de Pina B. entristeceu mais, pela impressão de incompletude do seu caminho, mas completo, afinal, só o universo ptolomaico, em que já só as tirinhas astrológicas e os programas de trash-talk acreditam, ou seja, quase toda a gente.

 

Merce-400

 

Na partida de Merce Cunningham vamos buscar um pequeno testemunho que um português depositou na página dedicada à notícia no jornal Público, porque há um português sempre, em cada acontecimento planetário, e chega a ser comovente o português ausente, como no desastre que causou duzentas vítimas, menos o português, felizmente. O texto fica aqui como foi publicado, evidentemente truncado no início, e nalguma dactilografia.

 

esta era a forma como nos compnheiros de trabalho nos referiamos ao senhor Merce Cunningham, e e espantoso como tem que falecer uma pessoa para que possamos saber a grandeza da sua historia. Sou um imigrante nos E. U. A. e tenho 20 anos a trabalhar no predio a onde este o mister Merce tem o seu apartamento, tem 16 janelas com frente para 6=a avenida que foram subestituidas por novas e por mim, e que foram feitas e importadas de Portugal, em Pinheiro da Bemposta O. de Azemeis de onde sou natural Orgulho de Portugues

de Manuel Ferreira, New York, U.S.A.

 

Não, nunca

Julho 9, 2009

 

 

cesto

 

Não, não estamos na praia.
Nunca, nunca quisemos que este blogue fosse a coisa vagante que o género pede e acabámos por cumprir.

Cremos naquilo a que se chama o jornalismo popular (pelo menos na sua melhor expressão), tanto quanto não cremos no novo jornalismo profissional em estilo faça-você-mesmo.

Mas estamos em retiro, depois de um confronto com o sistema legal-policial português, mais a sua aplicação aleatória e selectiva da letra da lei, com o seu estilo 1940 com internet e multibanco.

Abdicámos das nossas contribuições cívicas, e estudamos neste momento a melhor forma de desobedecer civilmente de forma sistemática, sem maior prejuízo financeiro.

 

 

Há mais mundo

Julho 1, 2009

Pina_Bausch

 

 

Há uns dias, parece que morreu
«o maior artista de todos os tempos de todo o mundo».
Hoje relembramos, com alegria e tristeza, que há mais mundo.

 

Tanztheater Wuppertal