Como diz o lisboeta, temos uma escultura de Rui Chafes no jardim. Descemos a Rua do Salitre, que já foi uma rua de teatro, para ir vê-la, à frente do número 224 da Avenida da Liberdade. Partilhamos com o escultor, para além de alguma leitura romântica e matérias de gosto, a percepção de que “Portugal é um país oitocentista”. Não podemos, infelizmente, partilhar com ele a capacidade de emigrar profissionalmente.

 

 

O dia de hoje trouxe uma luz do sul demasiado cortante para permitir à nossa máquina digital de campismo um ponto de vista mais fundo. Fica o cromo ofuscado. “O sol é o esplendor da vulgaridade” - Pascoaes.

O objecto responde às árvores e ignora o trânsito horizontal. À ida, tínhamos visto o pombo-das-rochas com a saudade instintiva das rochas. Vimos uma referência ao descobridor da América que ninguém vê. E uma porta fechada, em Santa Marta. No regresso, fomos seguindo as portas do Salitre, uma rua que tem uma relação estranhíssima com o sol, com o tempo, e com a passagem das gentes.

 

 

Picasso definiu o que é o estilo:
Sempre que o artista tenta desenhar um círculo perfeito, tudo o que sai errado é o seu estilo.

 

 

 

Perguntas ao Meu Septuagésimo Ano

Vens vindo, chegando, curioso,
Tu, vago, espectro incerto - trazes vida ou morte contigo?
Força, fraqueza, cegueira, mais paralisia e mais pesada?
Ou céus plácidos e sol? Vens ainda agitar as águas?
Ou talvez parar-me de vez? Ou vens deixar-me aqui assim,
Teso, como um papagaio, e velho, com a voz seca a teimar,
a arranhar os is?

 

 


Memórias

Como são doces, os quietos regressos ao que ficou para trás!
As buscas como em sonhos - a meditação de tempos velhos
acordados - seus amores, alegrias, pessoas, viagens.

 

fotografia: Carleton Watkins, “Cape Horn, Columbia River”, 1867.

dois poemas de Walt Whitman, tradução Drama Pessoal.

A casa do canto superior direito está à venda.

A casa do canto superior direito tem roupa de cor.

A casa do canto superior direito tem ar condicionado,
mas a do meio dispensa.

fotos Drama Pessoal

 

Este quarto, como o conheço bem.
Agora alugam-se quer este quer o do lado
para escritórios comerciais. A casa toda tornou-se
escritórios de intermediários, e de comerciantes, e Sociedades.

Ah este quarto, não é nada estranho.

Perto da porta por aqui estava o sofá,
e diante dele um tapete turco;
ao pé a prateleira com duas jarras amarelas.
À direita; não, em frente, um armário com espelho.
Ao meio a sua mesa de escrever;
e três grandes cadeiras de vime.
Ao lado da janela estava a cama
onde nos amámos tantas vezes.

Estarão ainda os coitados nalgum lugar.

Ao lado da janela estava a cama;
o sol da tarde chegava-lhe até metade.

… De tarde quatro horas, tínhamo-nos separado
por uma semana só… Ai de mim,
aquela semana tornou-se para sempre.

 

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Tradução do grego por
Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis

ver The Official Website of The Cavafy Archive

Em Poetry International Web:
Introdução aos Poemas, por W.H. Auden

“Pendulum’s Song”, ensaio de Joseph Brodsky
sobre Cavafy’s Alexandria, de Edmund Keeley

Eles Se Pudessem

Março 9, 2008

 

Êles se
pudessem
eu nem água
beberia

27-12-91

 

Celebramos a retoma da publicação dos escritos de António da Silva Teixeira Electricidade na sua página própria com este recado íntimo, recolhido por nós numa folha solta, numa fase em que os textos já não eram abundantes, arrancados com os seus cartazes, lavados das paredes de pedra sem serem substituídos por novos.

Vamos agora publicar o Segundo Caderno, o maior, usado durante mais tempo. Agradecemos a todos os amigos que têm respondido com generosidade à experiência deste escritor de Lisboa. Vemos nele maior verdade que em muitos que querem dizer muito.

Retomamos a publicação da escrita de António da Silva Teixeira Electricidade com o último texto que faltava do Primeiro Caderno, quando foi a nossa interrupção técnica. É uma poesia, como diria Álvaro de Campos e não gostam de dizer os doutores. A assinatura de Electricidade variou desta vez para General Franco Portugal. Muitos dos que o conheciam da rua tratavam-no por “O General”.

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Electricidade transformou um poema de Almeida Garrett do livro Folhas Caídas, quem sabe trazido de memória da escola, e fê-lo seu, mudando até o título, de “Saudades” para “Felicidades”, que depois riscou para pôr “Felecidades” (ver interessantíssimo artigo de Anna Beer, no Guardian Online, sobre a instrução da memória na escola renascentista inglesa, através da memorização metódica de poemas e imagens; já agora, veja-se também, da mesma autora, só porque tem interesse, num tempo de banalização da escrita, “How the mainstream dilutes literature”).

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A escolha que vamos ver aqui é uma lição de poesia, por ser uma lição de síntese, que, ao contrário do que muitos acham, é a primeira característica dessa arte, por maiores em extensão que sejam os textos. Os Lusíadas são extraordinariamente sintéticos, assim como o fado “Estranha forma de vida”. Ao contrário, certos poemas curtos que andam aí não têm síntese, têm só conversa. A “Saudades” faltava-lhe a síntese. Electricidade arrancou o coração melancólico do poema e cuidou-o ao ritmo do seu dizer de natural de Nogueiró, concelho de Braga.
Livrou o original de Garrett, que queria ser campestre e tradicional, da canga literária que ainda lhe punha peso.
Curto, o poema ficou mais intacto, mais triste, porque mais declarativo, menos enrolado sobre si próprio. Na página Electricidade deste blogue estará o poema inteiro à maneira do novo autor. Aqui fica a versão de Electricidade com as estrofes de Garrett que foram rasuradas, para se ver como funcionou uma memória poética sobre a outra.
Como fez Mário de Sá-Carneiro, Electricidade também gostava de pôr em maiúsculas os termos com maior sentido simbólico ou emotivo.

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As ilustrações são rascunhos a esferográfica das nossas aulas de Letras do tempo da primeira recolha dos textos de Electricidade, anos oitenta. Miniaturas das edições internacionais de Electricidade: Penguin Classics, Oxford Paperbacks, etc. Edições dos textos, uma tese académica, e um guia de Lisboa, com as torres das Amoreiras na capa. Cartoon da mesma série.

 

Saudades (Felicidades) FELECIDADES

 

Leva este Ramo, Pepita,
De Saudades Portuguezas:
É flor nossa, e tão Bonita
Não na Há noutras devezas

Seu perfume não seduz
não tem variado matiz,
vive à sombra, foge à luz,
as glórias d’amor não diz;

mas na modesta beleza
de sua melodia
é tão suave tristeza,
inspira tal simpatia!…

E tem um Dóte esta flor
que de outro igual se não diz:
Não Perde Viço ou frescôr
Quando a Tiram da Raiz

Antes mais e mais floresce
com tudo o que as outras mata;
até às vezes mais cresce
na terra que é mais ingrata.

Só tem um Cruel Senão
Que te não devo Esconder:
Plantada no Coração
Toda outra flor faz Morrer.

E, se o quebra e despedaça
com as raízes mofinas,
mais ela tem brilho e graça,
é como a flor das ruínas. Não,

Pepita, Não Ta dou
Não te dou esta flor
Que eu Sei que Me Custou
Tratá-la Com Tanto Amor

General Franco Portugal

Rés-do-chão

Janeiro 12, 2008

 

 

[TSF]

O corpo da cantora Cândida Branca Flor, que foi autopsiado ontem, quinta-feira, encontra-se há 24 horas no Instituto de Medicina Legal (IML) porque ninguém aparece para o reclamar, afirmou à Lusa uma fonte daquela instituição.
A situação é no mínimo insólita, e já foi confirmada pela editora que gravou o seu último trabalho, a Sucesso.

 

 

 

Tanto a Sucesso como o IML, garantem que até ao momento não foram contactados nem por familiares nem por amigos da cantora, encontrada morta quarta-feira na sua casa, em Massamá. Quanto à família da cantora, resume-se à mãe, muito idosa com mais de 90 anos, e vive num lar no Alentejo. [...]
O resultado da autópsia não pode ser revelado, visto estar em segredo de justiça. Aparentemente, tudo indica que a cantora se terá suicidado com álcool e comprimidos.

 

 

 

[NetParque]

[...]

O NetParque apurou junto da Aqui Há Música - Produção de Espectáculos, empresa de agenciamento de Cândida Branca Flor, que será rezada uma missa, pelas 13h30 de sábado, antes da saída do corpo da cantora da igreja para a sua última morada.
Segundo a mesma fonte, a notícia da Agência Lusa dizendo que o corpo permaneceu 24 horas no Instituto de Medicina Legal sem ser reclamado “é falsa e alguém terá de responder por ela”. O corpo de Cândida Branca-Flor foi reclamado por uma sobrinha, que se encontra a tratar de todo o processo relacionado com o enterro.

 

 

 

 

[NetParque]

A cantora Cândida Branca Flor foi encontrada morta em sua casa, em Massamá, na tarde de quarta-feira, 11 de Junho. Tinha 51 anos e 25 de carreira.
A notícia, avançada pela edição online do jornal “Público”, foi confirmada ao NetParque pelos Bombeiros de Queluz, entidade que recebeu uma chamada, às 16h21, a alertar para a existência de uma vítima de paragem cardíaca.
De acordo com a Agência Lusa, a chamada foi realizada por amiga de Cândida Branca Flor que, estranhando o facto de a cantora não atender o telefone, se deslocou à residência, de que possuía uma chave. [...]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao NetParque, a editora Sucesso e a empresa de agenciamento da cantora, Aqui Há Música, afirmaram, ao início da noite, não ter conhecimento do facto.
Cândida Maria Coelho Soares Rosado, nascida a 12 de Novembro de 1949, vivia sozinha em sua casa e a única família que tinha era a sua mãe.
Foi na televisão que Cândida Branca Flor se revelou, em 1976, ao lado de Júlio Isidro na apresentação do “Fungagá da Bicharada”. Nesse mesmo ano, a sua voz chamou a atenção no álbum “Coisas do Arco da Velha” da Banda do Casaco (ainda com o nome Cândida Soares).
Mas foi só mais tarde que Cândida Branca Flor (nome adoptado a partir de uma canção da Banda do Casaco) se lançaria como cantora, exactamente com a edição da banda sonora do “Fungagá da Bicharada”.
Em 1978, Branca Flor participou pela primeira vez no Festival RTP da Canção com “A Nossa História de Amor”, antes de regressar por duas vezes ao mesmo Festival, ao lado de Carlos Paião, com quem cantou dois dos seus maiores êxitos - “Trocas e Baldrocas”, em 1982, e “Vinho do Porto”, em 1983.
Ídolo das crianças de finais de 70 e inícios de 80, Cândida Branca Flor editou oito discos entre 1978 e 1993, sempre com um piscar de olhos ao público infantil. Do seu vasto repertório popular e romântico contam-se ainda as muitas interpretações de canções de Beatriz Costa.
Nos últimos anos, Cândida Branca Flor colaborou com muitos outros nomes da música popular e deu numerosos espectáculos para as comunidades de emigrantes portugueses no estrangeiro, sobretudo nos Estados Unidos da América, Canadá, África do Sul e Austrália.

 

 

 

 

 

 

 

 

[Oeste Diário]

[...]

O último espectáculo da cantora Cândida Branca Flor, encontrada morta em sua casa na quarta-feira, dia 11 de Julho, foi em Pero Negro (concelho do Sobral do Monte Agraço), no sábado anterior.
A cantora Cândida Branca Flor, de 51 anos, foi encontrada morta em sua casa, em Massamá, na quarta-feira, dia 11 de Julho. Aparentemente terá sido suicídio, mas as entidades policiais não confirmaram ainda esta hipótese.
O ultimo concerto que a artista deu foi no sábado anterior, dia 7 de Julho, no concelho do Sobral do Monte Agraço. Cândida Branca Flor actuou no pavilhão gimnodesportivo do Clube Desportivo e Recreativo de Pero Negro, onde esteve com as suas bailarinas e o seu amigo e também cantor Luís Portela.
A carreira de Cândida Branca Flor não estava a correr bem. Exemplo disso é o facto de no espectáculo realizado em Pero Negro só terem estado presentes cerca de 30 pessoas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[Redacção noticiosa da rádio TSF de 13 de Julho de 2001 & locais online Netparque
& Oeste Diário]

fotos Remax, busca em: Massamá, apartamentos, venda (todas as zonas).

 

 

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Mal chegámos à rua, o Professor parou examinando o espaço. Teve uma hesitação. Depois puxou da algibeira por um objecto que me pareceu um relógio – consultou-o… E, de súbito revolvendo-se, pegou-me bruscamente por um braço arrastando-me sem dizer uma palavra. Só então notei – e pasmo hoje como só então notei – que os vidros dos seus eternos óculos azuis, quadrados, eram doutra cor: um amarelo sujo, muito bizarro; uma cor repugnante que metia medo. É verdade: ao olhar com mais demora os vidros dos seus óculos, foi esta a impressão que me oscilou, destrambelhadamente. A cor não me soube a cor. Os meus olhos sentiram-na, não vendo-a, mas tacteando-a. Sim, a sensação que essa cor que eu vira me transmitiu ao cérebro foi uma sensação de tacto – olhá-la, era como se tacteássemos qualquer coisa viscosa. E só das estranhas lentes – atingi – provinha a mudança que eu notara no rosto do Mestre: eram elas que deslocavam a sua expressão fisionómica.

Durante o nosso passeio, várias vezes ele tornou a consultar o seu relógio – que, num momento, eu pude descobrir não ser um relógio. Faltou-me o tempo para o examinar com a devida atenção. Apenas observei que o seu mostrador era roxo e que os algarismos das horas estavam substituídos por traços de cor…

 

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Mário de Sá-Carneiro
«A Estranha Morte do Prof. Antena», Céu em Fogo, 1915.
Ser português é melhor ao longe. Mais um ganho de património recente,

 

fotos dramapessoal, Lisboa à noite

 

Menos Um Ano

Janeiro 4, 2008

Notas de uma caminhada lisboeta.

 

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Lisboa com suas escamas naturais
a cair do corpo morto, à luz sempre muito alto
ao perto molhado e torto

 

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O pedreiro romano em seu monte claro
vê o dia para trás e o fim do que está visto
antes que seja tarde, pois que o sol arde

 

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Horas extra no ofício, contas de outros dias,
enquanto o vento e a luz fazem ondas de areia
e um rosto do fado posa calado

 

fotos de Lisboa e legendas dramapessoal:
Saldanha, Avenida de Roma, Praça do Marquês de Pombal

Onde Não Passa Ninguém

Dezembro 15, 2007

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«Uma rua deserta não é uma rua onde não passa ninguém, mas uma rua onde os que passam, passam nela como se fosse deserta».

 

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Fotografias de Jeff Brouws,

do livro Approaching Nowhere.

 

Texto de Fernando Pessoa (Bernardo Soares), Livro do Desassossego.

As Casas São Caras

Dezembro 6, 2007

Quando ouço «As casas são caras», ouço sempre mais claro o segundo sentido.

Fotografias de Henry Wessel, da série conhecida como Real Estate Images.
Imagens Imobiliárias, Imagens de Propriedades ou Imagens de Imóveis. Graus diferentes de ironia.

 

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No. 90417, 1990

 

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No. 90602, 1990

 

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No. 91117, 1991

 

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No. 91167, 1991

 

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No. 902516, 1990

 

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No. 905017, 1990

 

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No. 905718, 1990

 

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No. 907914, 1990

 

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No. 908614, 1990

 

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No. 912715, 1991

 

Miniaturas Portuguesas

Novembro 29, 2007

Por causa de uma urgência médica, ou, como diria o dialecto enfático curto que agora manda, por causa de uma urgência totalmente inesperada, ida ao Hospital de S. José.

De caminho, quatro imagens de Lisboa, num domingo à tarde com sol branco e baixo.

 

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Não é na Beira. Fica no atalho entre a R. das Portas de Sto. Antão e o hospital. Uma miniatura portuguesa.

 

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«Amor é deixá-la conduzir». Aqui os objectos que têm o poder de emocionar juntam-se em quantidade e formam altares.

Atendimento médico impecável, ao contrário do que diz quem compra e vende. Mas os sanitários da sala de espera principal e a própria sala eram duas áreas em bruto e confluentes, como dizem os arquitectos. Cadeiras de plástico ou retretes. À necessidade.

 

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A máquina de café tinha sido intervencionada, como dizem os arquitectos. O auto-retrato é um impulso artístico natural.

No regresso, o Cabeleireiro Martinho, ao fundo da Rua do Salitre. Parado no tempo, à data das latrinas do hospital de S. José. No tempo em que uma casa com cozinha e umas caras recortadas das revistas, na janela, chegavam para um salão de beleza.

 

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Fotos dramapessoal, tratamento em Paint.Net

(Uma passagem mais recente, e não assim tão distante, pelo Hospital de S. José, para outros assuntos, serviu para comprovar que a sala de espera tinha sido completamente renovada; um funcionário falou-nos com satisfação do novo cenário limpo e brilhante; com uma satisfação parecida, encontrámos intacta a máquina do café com marcas de arte popular, agora junto da porta da rua).