Pequeno-almoço Fora (Caminhada Matinal)
Maio 13, 2008

Maio
Maio 5, 2008

[17]
«Deixei o mundo com a ajuda de outro mundo;
um desígnio foi apagado,
por virtude de um desígnio mais alto.
De ora em diante vou a caminho do Repouso,
onde o tempo descansa na Eternidade dos Tempos.
Agora entro no Silêncio.»
Tendo dito isto, Maria ficou em silêncio,
pois fora no silêncio que o Mestre lhe falara.
Então falou André, e disse aos seus irmãos:
«Dizei-me, o que pensais das coisas que ela nos tem dito?
Quanto a mim, não acredito
que o Mestre lhe falasse desta maneira.
Estas ideias são muito diferentes das que aprendemos.»
E Pedro acrescentou:
«Como é possível que o Mestre falasse
desta maneira com uma mulher
a respeito de segredos que nós próprios ignoramos?
Deveremos mudar os nossos costumes,
para ouvirmos esta mulher?
Será que Ele a escolheu, e a preferiu a nós?[18]
Foi então que Maria chorou,
e lhe respondeu:
«Meu irmão Pedro, em que pensas tu?
Pensas que isto sou eu só que o imagino,
que eu inventei esta visão?
Ou crês que eu mentiria a respeito do nosso Mestre?»
Nisto, Levi ergueu a sua voz:
«Pedro, sempre foste colérico no temperamento,
e agora vemos que repudias uma mulher,
assim como fazem os nossos adversários.
Todavia, se o Mestre a ela deu valor,
quem és tu para rejeitá-la?
Por certo o Mestre a conheceu muito bem,
pois a amou mais que a nós.
Tratemos então de achar acordo,
e tornemo-nos em tudo humanos,
para que o Mestre crie raízes em nós.
Cresçamos como Ele nos pediu,
e sigamos ao caminho a espalhar o evangelho,
sem nos metermos a criar quaisquer regras e leis
para além daquelas de que fomos testemunhas».
texto: páginas 17 e 18 do Evangelho de Maria,
também conhecido por Evangelho de Maria Madalena,
apócrifo extraído do Códice de Akhmim, trazido do Cairo, em 1896, por Carl Reinhardt,
e dos Códices de Nag Hammadi, descobertos num vaso selado enterrado no deserto.
fotografia: pormenor de figurino da colecção Primavera-Verão 2007
de Jean-Paul Gaultier: desfile em Style.com ou em Vogue Australia
O Facho Olímpico
Abril 6, 2008
“A competição desportiva cavalheiresca
ajuda a tecer os laços de paz entre as nações.
Que nunca se extinga a chama olímpica”. Adolf Hitler

O site oficial dos Jogos Olímpicos de Pequim dedicou uma página especial à tocha que inaugurou o costume da chama olímpica. É recente, o costume, data de 1936.
O interesse do objecto, um sólido ícone modernista, não tem qualquer valor, ao pé da perturbadora falsa neutralidade do texto da responsabilidade do Comité Olímpico Internacional, no site do Comité Olímpico Chinês.
A enorme série de falsificações históricas que criou o mito da integridade do género ariano também passava pela fantasia da antiguidade helénica como um primitivo berço racial. A proposta da sagração dessa origem com o ritual do acendimento de um facho, segundo o site, foi feita ao COI pelo Secretário Geral do Comité Organizador dos Jogos de Berlim. O site não dá o nome ao homem.

Chamava-se Carl Diem, e respondia directamente a Josef Goebbels, o plenipotente Ministro da Propaganda.
A acção de rasurar nomes é intensamente política, e exige, obviamente, um cálculo maior do que a sua simples menção. Não é preciso ler-se Theodor Adorno a respeito da política das coisas sem política para se chegar a esta conclusão.
O site dos Jogos de Pequim continua, com mais uma elipse macabra. Segundo o site, o percurso da chama (a que chamamos facho, porque também lembra o fascio, ou feixe, emblema do conceito de unidade nacional pela força bélica que Mussolini apurou e a cuja família o emblema germânico do archote pertenceu) foi uma jornada de puro entusiasmo.
Mas o percurso tinha sido delineado por Goebbels para atravessar todos os territórios cuja anexação era prioritária no plano do III Reich. Três anos mais tarde, nesses territórios do Sudeste, começava o massacre das minorias, muitas vezes pela mão de milícias locais, com carta branca das SS. À passagem da chama, como lembra Chris Bowlby, para a BBC News, músicos ciganos húngaros tocaram a sua música, a pouco mais de três anos de serem deportados em massa.
O facho já ostentava o emblema da Krupp, o gigante da fundição de canhões e munição, que então laborava a pleno vapor.
A Anexação da Áustria começou, pode dizer-se, à passagem do facho, que foi acendendo comícios nazis, organizados em articulação com a propaganda olímpica. Os que não estavam vencidos pela ilusão, foram vencidos pelo ruído e pelo medo.
Mas, para o Comité Olímpico Internacional e o seu parceiro chinês, o calor do desporto está acima de tudo:
Os Comités Olímpicos Nacionais da Grécia, Bulgária, Jugoslávia, Hungria, Áustria, Checoslováquia e Alemanha (os sete países percorridos pelo desfile da chama) foram inteiramente favoráveis à ideia e cooperaram entusiasticamente no projecto. O Comité Organizador planeou uma rota que atravessava as capitais de cada um desses países.
A mesma rota seria cumprida pouco tempo depois, em sentido contrário, pelas tropas de choque do grande vencedor dos jogos (com 33 medalhas de ouro). O desporto, cuja razão de ser, em muitos domínios, se tem perdido catastroficamente, poderá servir, como disse Hitler, para tecer laços entre as nações. Mas deverá servir para rasurar, ou mesmo substituir a história de modo tão absoluto?
Há quem se lembre de quem ganhou o salto em altura em Munique 1972. E o lançamento do peso. E há quem lembre que um banho de sangue não parou os jogos, enquanto o terrorismo de acção directa contra civis estava a ser inventado na sua moderna forma. Sim, talvez o mundo devesse ter parado.
Quem subiu depois ao pódio, festejava o quê?

Já ninguém comenta o falso amadorismo dos Jogos, e o vácuo da expressão “Ideal Olímpico”. Desde então, é duvidoso que os Jogos tenham desenvolvido mais a paz do que os tribalismos nacionais, o doping e o negócio do esforço físico e dos seus equipamentos (ou, menos comerciais, as políticas de mobilização para o desporto de vários estados inimigos da liberdade individual, para comando interno das massas e propaganda atlética no exterior).
Curiosamente, o site dos Jogos de Pequim descreve o facho e nota que transportava a inscrição “Fackelstaffel-Lauf Olympia-Berlin 1936″, com os anéis olímpicos e “uma águia sobreposta”.
Ora, o Comité Olímpico Internacional apagou aqui até a sua própria história. A ideia de Goebbels de fundir a simbologia nazi com a dos jogos, mais nítida no emblema da águia sobreposta aos anéis olímpicos, chegou a ser formalmente rejeitada pelo COI, e o emblema teve de ser retirado (como foi retirada das bancadas oficiais a propaganda anti-semita e anti-homossexual publicada para consumo dos alemães).
Mas o facho, teimosamente, insistiu no símbolo primitivo, e a águia anunciava já a sua própria lei e indiferença a todos os contratos. Se alguém reparou, nada se fez. Achou-se preferível não perturbar a Cerimónia.
As Obras de Arte
Abril 2, 2008
Mais uma pausa exagerada. Este blogue luta com moinhos de vento. Pela segunda vez este ano, o nosso computador vai a caminho de Espanha, depois de ter deitado fora uma massa de textos e imagens. E ainda nos rimos de carros e telefones e selhas de lavar roupa com manivelas.

Não é só o computador que insiste em dar o exemplo (mais três amigos fazem as malas a esta hora; também com perdas e avarias profundas, mas já sem garantias).

Salvámos duas imagens que resistiram aos dois desastres. Os objectos fotografados estão há anos na mesma vitrina de Lisboa.
São objectos terríveis, pousados no vazio, abandonados pelo gosto de quem os criou e de quem os procurava. Precisam, como se diz em política artística, de um novo contexto.
Precisam de alguém, dirá quem os vende.
“As obras de Arte são grandes pelo indefinido e imperfeito que encerram, pois dessa imperfeição fecunda se alimenta o nosso espírito.”
O Menino tem de Estudar
Março 25, 2008
Quanto ao meu estilo, foi a censura que o apurou. Algumas novelas vinham com tantos cortes que apenas restava a letra dos títulos. Ensinaram-me a insinuar, a sugerir mais que a mostrar.

O nosso trabalho actual levou-nos a esta imagem. A fotografia da fotonovela (como a cinematografia da telenovela) raramente alcança a agilidade da composição acima, e, quando a alcança, desperdiça-a imediatamente.
Mas veja-se como aparece ondulada aquela que convida, e ondula ligeiramente aquele que recusa; este, embora arrojadamente capaz de contemplar a possibilidade, dá-lhe o devido nome de acordo com a Doutrina.
Ele fixa o olhar na tentadora, exactamente na mesma linha do olhar do amigo folião, enquanto indica com as mãos um objectivo mais conciso do que o que o leque aberto das mãos dela promete: os livros, o estudo, diz ele, de mãos vazias, desenhando um apertado limite. O amigo folião tem um copo e uma garrafa nas mãos, e pára. A alegria de viver suspende-se, quando se fala em estudo.
A tentadora diz: posso tocar-te e fumar com a mão toda atirada para a frente, ou seja, posso fazer o que me apetece e mostrá-lo. Quero mostrar-te coisas. Sou como um livro que não depende da tua vontade.
Ela agarra-o, roubando-lhe o ónus mediterrânico da iniciativa masculina. Mas agarra-o porque ele disse que só queria estudar. De outro modo, se ele fosse um homem normal, sem ideias de futuro, o gesto teria sido inteiramente obsceno.
No seu canto, a amiga foliona pára também, cigarro meio fora do maço. O prazer também parou por ali. Dela, temos um rosto de admiração, de escândalo, e um par de pernas cruzadas. Não lhe falta mais nada para ser aquela que vai sucumbir aos encantos do renitente.

Um dos interditos, ou sugestões, desta novela em particular, é a intimidade que a foliona que vai acabar seduzida tem com o velho amigo folião. Têm manifestamente um passado, e um presente de impaciências e ironias, como dois que precisam de punir o desejo mútuo. Mas tudo se esconde num mal-entendido sentimental: David, o estudante, acha que o amigo folião, Jaime, ama a jovem mal-disposta, sem ser correspondido. Porém, são apenas bons amigos. De acordo com um cliché francês mais recente, seriam amigos que tinham apenas sexo. O cliché americano torná-los-ia antigos namorados da faculdade. Veja-se como ela o olha. Fotógrafo e actriz sabem mais.

Perdes o teu tempo, rapaz.

Lamento, rapazes.

O menino tem de estudar, homem.

Uns meses depois, a tentadora, obviamente, já tem par para a festa. Os dois desencontrados apoiam-se no carro, um invejável Simca Barreiros, convite à aventura. Ele pronto para explicar. Ela pronta para ir. Pela pose, ele já parece capaz de mais do que apenas estudar. Todavia, as meias dela concebem um mundo mais vasto do que as meias dele.

Vamos, meu amante mais que habitual. O teu amigo dá-me ganas de perverter a nossa rotina.

Estou a olhar para Jaime, mas o adeus é para ti. Não existe, essa fotografia, para não ser demasiado evidente que foi neste momento que vos troquei, à vista de ambos. Seria um gráfico demasiado obsceno. Ia parecer demasiado natural. As legendas baralharam-se. A cena é demasiado densa. Quem diz a quem a legenda de cima? De quem, e para quem são o nada perdes, e o adeus?

O farol do Simca vê mais longe.
Que Cem Flores Desabrochem
Março 20, 2008
Não temos qualquer estima pelo assassino de massas. Mas um dos amigos originais que temos juntado decidiu oferecer-nos o icónico Livro Vermelho de Mao Tsetung pelo Natal.
Duas passagens escolhidas do Livro são tudo o mais que temos a dizer a respeito do assunto educativo local, bastante aquém do que Mao vislumbrou em 1957.

A política de “Que cem flores desabrochem” e “Que cem escolas rivalizem” é a política para estimular o progresso da arte e da ciência e o florescimento da cultura socialista no nosso país. Na arte, podem desenvolver-se distintas formas e estilos; na ciência, diferentes escolas podem rivalizar livremente. Julgamos que a imposição, por medidas administrativas, de um só estilo e de uma só escola, e a proibição de outros estilos ou escolas, dificultam o progresso da arte e da ciência. O problema do correcto e do errado na arte e na ciência deve resolver-se pela livre discussão nos meios artísticos e científicos e durante a prática da arte e da ciência. Esse problema não deve ser resolvido por métodos simplistas.
in “Sobre a Justa Solução das Contradições no Seio do Povo”
(27 de fevereiro de 1957).
Tropas sem cultura são tropas ignorantes e tropas assim não podem vencer o inimigo.
in “Frente Única no Trabalho Cultural”
(30 de Outubro de 1944, Obras Escolhidas, Tomo III).
Reproduções de duas serigrafias da série “Mao”, de Andy Warhol.
Para outros assuntos:
Embaixador Ma Enhan
1200-756 LISBOA
Tel: 213 928 440
Fax: 213 928 431
site: http://pt.chineseembassy.org/pot/
e-mail: chinaemb_pt@mail.mfa.gov.cn
chinaemb_pt@mfa.gov.cn
Vinte e Quatro Horas da Vida de Uma Mulher
Março 6, 2008

A maior parte das pessoas possui apenas uma imaginação fraca. O que não as fere directamente, enterrando-se-lhes como uma punhalada em pleno cérebro, não as chega a impressionar; porém, se diante dos seus olhos se produz qualquer coisa, mesmo de pouca importância, mas que esteja ao alcance da sua sensibilidade, imediatamente brota nelas uma paixão desmedida. Assim, com uma veemência imprópria e exagerada, essas pessoas compensam, de certo modo, o pouco interesse que têm pelos outros acontecimentos.
Segundo parágrafo de Vinte e Quatro Horas da Vida Duma Mulher, de Stefan Zweig, tradução de Alice Ogando.
máquina de escrever Adler 30, propriedade de Karina Jeppesen
Call Girl (caminhada nocturna)
Fevereiro 3, 2008

Quando a conheci
interessava-me
pela guerra,
suplantavam-me nos torneios
se me distraía
com decotes ou cismas,
entre amigos espalhava
dobrões nos bordéis,
a cidade era doce nas fontes,
pórticos saravam travessias.
Ela degolou tudo,
honrei-lhe o corpo
cravando tão fundo quanto pude
os pregos da paixão,
entrelacei espinhos do amor
numa coroa real,
e no escudo
mandei pintar insígnias
da casa a que pertence.
Mas traiu-me
e matei-a.
poema de Fátima Maldonado,
de Painéis de Vigilância.
in Cadeias de Transmissão (antologia da obra completa), ed. Frenesi, 1999.
fotografia: pormenor de montra (ou escaparate ou vitrina) de loja de Lisboa
Dois Retratos
Fevereiro 1, 2008

Na figura, postal ilustrado do Rei D. Manuel II, O Patriota (ou O Desventurado, entre outros títulos), último rei de Portugal, deposto pelo golpe de estado republicano de 5 de Outubro de 1910. Tinha então 20 anos. Chegou a conceder uma amnistia geral que devolveu liberdades plenas aos implicados no assassinato, a 1 de Fevereiro de 1908, do pai, D. Carlos I, e do irmão, D. Luís Filipe.
O selo, que também representa o rei, com sobrecarga a vermelho do título do novo regime, circulou até 1913.
À vista estão três pancadas de carimbo: uma sobre o rosto do rei, outra sobre a coroa do escudo nacional, e outra sobre o selo reclassificado.
Entre os heróis panfletistas da república, mais tarde fundador da revista Seara Nova, a sempre louvada, esteve Luís da Câmara Reis, ou Câmara Reys. Um débil artigo da Wikipédia, que aparenta ter sido escrito em 1910, dá-o como “corajoso e persistente lutador pela causa democrática”.
Câmara Reys publicou e assinou Vida Política, uma série de fascículos políticos, de que temos uma pequena colecção. Guardamos aqui um recorte do nº 5, de 1911, com um breve aparte dedicado ao rei D. Manuel:
Por quem se batiam esses homens? Que figura ilustre simbolizava, para eles, a velha monarquia das tradições aventurosas?
Não vale a pena traçar minuciosamente, aqui, o perfil do pobre D. Manuel, beato e medroso rei cercado por uma camarilha duvidosa de jesuítas e fidalgos imbecis ou interesseiros, ansiando nas horas de perigo pela intervenção das potências, criado entre ladainhas e padre-nossos, fanhoso e maricas como um petiz sempre agarrado às saias da mamã, espécie de choramingas apaparicado e pateta que, à força de acanhamento intelectual e de toleima, fez esquecer o seu infortúnio apavorador de rei aclamado entre os gritos e as lágrimas de uma sangrenta tragédia familiar.
Rés-do-chão
Janeiro 12, 2008

[TSF]
O corpo da cantora Cândida Branca Flor, que foi autopsiado ontem, quinta-feira, encontra-se há 24 horas no Instituto de Medicina Legal (IML) porque ninguém aparece para o reclamar, afirmou à Lusa uma fonte daquela instituição.
A situação é no mínimo insólita, e já foi confirmada pela editora que gravou o seu último trabalho, a Sucesso.


Tanto a Sucesso como o IML, garantem que até ao momento não foram contactados nem por familiares nem por amigos da cantora, encontrada morta quarta-feira na sua casa, em Massamá. Quanto à família da cantora, resume-se à mãe, muito idosa com mais de 90 anos, e vive num lar no Alentejo. [...]
O resultado da autópsia não pode ser revelado, visto estar em segredo de justiça. Aparentemente, tudo indica que a cantora se terá suicidado com álcool e comprimidos.


[NetParque]
[...]
O NetParque apurou junto da Aqui Há Música - Produção de Espectáculos, empresa de agenciamento de Cândida Branca Flor, que será rezada uma missa, pelas 13h30 de sábado, antes da saída do corpo da cantora da igreja para a sua última morada.
Segundo a mesma fonte, a notícia da Agência Lusa dizendo que o corpo permaneceu 24 horas no Instituto de Medicina Legal sem ser reclamado “é falsa e alguém terá de responder por ela”. O corpo de Cândida Branca-Flor foi reclamado por uma sobrinha, que se encontra a tratar de todo o processo relacionado com o enterro.


[NetParque]
A cantora Cândida Branca Flor foi encontrada morta em sua casa, em Massamá, na tarde de quarta-feira, 11 de Junho. Tinha 51 anos e 25 de carreira.
A notícia, avançada pela edição online do jornal “Público”, foi confirmada ao NetParque pelos Bombeiros de Queluz, entidade que recebeu uma chamada, às 16h21, a alertar para a existência de uma vítima de paragem cardíaca.
De acordo com a Agência Lusa, a chamada foi realizada por amiga de Cândida Branca Flor que, estranhando o facto de a cantora não atender o telefone, se deslocou à residência, de que possuía uma chave. [...]








Ao NetParque, a editora Sucesso e a empresa de agenciamento da cantora, Aqui Há Música, afirmaram, ao início da noite, não ter conhecimento do facto.
Cândida Maria Coelho Soares Rosado, nascida a 12 de Novembro de 1949, vivia sozinha em sua casa e a única família que tinha era a sua mãe.
Foi na televisão que Cândida Branca Flor se revelou, em 1976, ao lado de Júlio Isidro na apresentação do “Fungagá da Bicharada”. Nesse mesmo ano, a sua voz chamou a atenção no álbum “Coisas do Arco da Velha” da Banda do Casaco (ainda com o nome Cândida Soares).
Mas foi só mais tarde que Cândida Branca Flor (nome adoptado a partir de uma canção da Banda do Casaco) se lançaria como cantora, exactamente com a edição da banda sonora do “Fungagá da Bicharada”.
Em 1978, Branca Flor participou pela primeira vez no Festival RTP da Canção com “A Nossa História de Amor”, antes de regressar por duas vezes ao mesmo Festival, ao lado de Carlos Paião, com quem cantou dois dos seus maiores êxitos - “Trocas e Baldrocas”, em 1982, e “Vinho do Porto”, em 1983.
Ídolo das crianças de finais de 70 e inícios de 80, Cândida Branca Flor editou oito discos entre 1978 e 1993, sempre com um piscar de olhos ao público infantil. Do seu vasto repertório popular e romântico contam-se ainda as muitas interpretações de canções de Beatriz Costa.
Nos últimos anos, Cândida Branca Flor colaborou com muitos outros nomes da música popular e deu numerosos espectáculos para as comunidades de emigrantes portugueses no estrangeiro, sobretudo nos Estados Unidos da América, Canadá, África do Sul e Austrália.







[Oeste Diário]
[...]
O último espectáculo da cantora Cândida Branca Flor, encontrada morta em sua casa na quarta-feira, dia 11 de Julho, foi em Pero Negro (concelho do Sobral do Monte Agraço), no sábado anterior.
A cantora Cândida Branca Flor, de 51 anos, foi encontrada morta em sua casa, em Massamá, na quarta-feira, dia 11 de Julho. Aparentemente terá sido suicídio, mas as entidades policiais não confirmaram ainda esta hipótese.
O ultimo concerto que a artista deu foi no sábado anterior, dia 7 de Julho, no concelho do Sobral do Monte Agraço. Cândida Branca Flor actuou no pavilhão gimnodesportivo do Clube Desportivo e Recreativo de Pero Negro, onde esteve com as suas bailarinas e o seu amigo e também cantor Luís Portela.
A carreira de Cândida Branca Flor não estava a correr bem. Exemplo disso é o facto de no espectáculo realizado em Pero Negro só terem estado presentes cerca de 30 pessoas.











[Redacção noticiosa da rádio TSF de 13 de Julho de 2001 & locais online Netparque
& Oeste Diário]
fotos Remax, busca em: Massamá, apartamentos, venda (todas as zonas).
A Estranha Morte do Prof. Antena (caminhada nocturna)
Janeiro 10, 2008



Mal chegámos à rua, o Professor parou examinando o espaço. Teve uma hesitação. Depois puxou da algibeira por um objecto que me pareceu um relógio – consultou-o… E, de súbito revolvendo-se, pegou-me bruscamente por um braço arrastando-me sem dizer uma palavra. Só então notei – e pasmo hoje como só então notei – que os vidros dos seus eternos óculos azuis, quadrados, eram doutra cor: um amarelo sujo, muito bizarro; uma cor repugnante que metia medo. É verdade: ao olhar com mais demora os vidros dos seus óculos, foi esta a impressão que me oscilou, destrambelhadamente. A cor não me soube a cor. Os meus olhos sentiram-na, não vendo-a, mas tacteando-a. Sim, a sensação que essa cor que eu vira me transmitiu ao cérebro foi uma sensação de tacto – olhá-la, era como se tacteássemos qualquer coisa viscosa. E só das estranhas lentes – atingi – provinha a mudança que eu notara no rosto do Mestre: eram elas que deslocavam a sua expressão fisionómica.
Durante o nosso passeio, várias vezes ele tornou a consultar o seu relógio – que, num momento, eu pude descobrir não ser um relógio. Faltou-me o tempo para o examinar com a devida atenção. Apenas observei que o seu mostrador era roxo e que os algarismos das horas estavam substituídos por traços de cor…


Quantas Mais As Gentes, Mais Contentes
Dezembro 31, 2007
Agora que o Porto é que tem o maior falo com luzes, erguido pelo banco cristão que nalguns casos perdoa, o Terreiro do Paço fica mais livre para a tradicional filmagem do fogo de artifício com telemóveis.
Os que medem o tempo em obras não hão-de querer saudar o tempo que voa. Talvez prefiram escolher uma boa T-shirt para o ar higiénico de Janeiro.

Podem ir a Despair, Inc. e escolher algum objecto do seu vasto programa de Desmotivação. A Igreja católica espanhola vem dizer que a descrença tem levado ao desespero, logo, à desagregação da família e ao aborto. E, se tivermos em conta a lista de «males modernos» que as duas Igrejas Católicas peninsulares assinam, presume-se que leve à homossexualidade.


O desespero também é a energia com que arranhamos o tempo - durante algum tempo, diria a voz do poema «Tabacaria». Melhor que nada. Uma camisola a dizer Melhor que nada já é alguma coisa. O desespero é civilização e história da filosofia.
Mesmo no contexto católico, o desespero é um pecado venial, ou seja, digno de perdão, e não causador de distância irremediável para com Deus. A maior prova de fé é a heresia (Pascoaes).
A passagem de ano é uma boa figuração do espírito deste tempo, que cabe no lema em inglês the more, the merrier: quantas mais as gentes, mais contentes. Uma maré de telemóveis onde quem vê só vê uma miniatura do céu para mandar a quem também só viu uma miniatura não pode ser um bom começo.
Só se pensa com distância. Os menos ansiosos ideologicamente podem ir a Defunker
buscar um bom emblema para o seu afastamento.

Quem não se encolhe com o frio pode acreditar no corpo e no cliché e sair para aclarar as ideias. Defunker aceita encomendas e também propostas gráficas, através de e-mail, para publicação em pano com mangas curtas.

