Nem com o tempo
Junho 5, 2008
Minibiografia
Não me quero com o tempo nem com a moda,
Olho como um deus para tudo de alto,
Mas, zás! do motor corpo o mau ressalto
Me faz a todo o passo errar a coda.Porque envelheço, adoeço, esqueço
Quanto a vida é gesto e amor é foda;
Diferente me concebo e só do avesso
O formato mulher se me acomoda.E, se a nave vier do fundo espaço
Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo:
Logo me leve, subirei sem medo
À cena do mais árduo e do mais escasso.Um poema deixo, ao retardador:
Meia palavra a bom entendedor.

Lisboa. Rua da Misericórdia. Ao cimo, à esquina, o Teatro da Trindade.
Mãe e filha (poeta Luiza Neto Jorge), fotografia da década de 1950.
Mudava o Meu Nome
Maio 19, 2008
“Mudava o meu nome para Ginger, se pudesse voltar a fazê-lo.”

(Gene Kelly, a propósito da única vez que dançou num musical com Fred Astaire, em Ziegfeld Follies).
Pequena História com Dois Poemas (de Adília Lopes)
Maio 15, 2008
Aqui gostamos de poemas que contam histórias, e especialmente dos que parecem que contam histórias, esses que trazem o que nunca aconteceu, mas está sempre a acontecer.
A propósito dos dois poemas que juntamos aqui, deixamos uma história que temos com a autora, que se calhar mais ninguém tem (para além de uma conversa sobre os ensaios de M.S. Lourenço, a cujo propósito trocámos memórias comuns, e a certa preferência por dois textos muito diferentes).
Foi na loja da editora Assírio & Alvim, na Rua Passos Manuel. Estendemos a mão ao livro Maria Cristina Martins, para comprá-lo. 250 exemplares. 500 escudos. Black Son Editores. Ao lado, havia um volume da mesma cor, rosa: Os 5 livros de versos que salvaram o tio. Edição de autor, com data de Lisboa, 1985. Em vez do preço, tinha um recado a lápis: “Oferta da autora”.
Levámos os dois livros até ao balcão. “Este livro tem aqui escrito…”.
“Sim, sim. Oferta da autora. É isso mesmo. É para levar. Com muito prazer”, disse-nos a responsável da loja.
Para um vil criminoso
Fizeste-me mil maldades
e uma maldade muito grande
que não se faz
acho que devo ter sido a pessoa
a quem fizeste mais maldades
nem deves ter feito a ninguém
uma maldade tão grande
como a que me fizeste a mim
não sei se tens remorsos
tu dizes que não tens remorsos nenhuns
porque dizes que és um vil criminoso
para mim
eu também sou uma vil criminosa
mas não para ti
desconfio que tens o remorso
de ter alguns remorsos
por teres feito mil maldades
e uma maldade muito grande
a maldade muito grande está feita
e não se faz
acho que essa maldade muito grande
nos aproximou um do outro
em vez de nos afastar
mas para mim é um drôle de chemin
e para ti também deve ser
mas com um vil criminoso nunca se sabe
O vestido cor de salmão
Ai de mim estreei o meu vestido cor de salmão
no primeiro baile a que fui
durante o baile fiquei sentada numa cadeira
ninguém me convidou para dançar
a uma rapariga importuna
que me perguntou porque é que eu
não dançava
respondi eu não sei dançar
ela insistiu comigo para que eu
bebesse uma taça de champagne
eu acedi
mas não foi dessa vez que bebi champagne
pela primeira vez
porque a rapariga entornou a taça
no meu colo
julgo que propositadamente
com a nódoa o vestido deixou de ser para bom
passou a ser para bater
durante uma viagem curta de comboio
uma faúlha do comboio (que era a lenha)
queimou-o no punho
foi fácil substituir o punho
porque no Penim onde a minha mãe tinha comprado
o corte de tecido cor de salmão
ainda havia esse tecido cor de salmão
mas durante um passeio à praia
sentei-me numa rocha
e ao levantar-me precipitadamente
por ver que ia rebentar uma trovoada
o vestido ficou preso à rocha
e rasgou-se irremediavelmente
ao despi-lo vi que o vestido tinha já
a forma do meu corpo
rasguei-o em pedaços
e guardei os pedaços
na cesta dos trapos
de um dos pedaços fez-se um vestido
para a boneca da minha irmã mais nova
e deste mais tarde fez-se um vestido
para a filha da boneca da minha irmã mais nova
que era uma boneca mais pequena
que caiu a um poço
poemas dos livros Um Jogo Bastante Perigoso, e O Decote da Dama de Espadas, de Adília Lopes.
pintura de Mark Ryden: “Inside Sue” (ver galeria em markryden.com)
Robert Rauschenberg e o Quadro Apagado
Maio 14, 2008

Queremos saudar Robert Rauschenberg, que morreu na segunda-feira.
Lembramos a sua série Cardbird, que fez nascer formas de pássaro de cartões de embalagem rasgados, mas cartões montados, fotografados, impressos, recortados e colados em base de cartão para serem iguais a cartões rasgados, em formas de pássaro.
À parte a pintura, e as colagens, queríamos mencionar o seu “Erased de Kooning Drawing” (”Desenho de de Kooning apagado”).
Rauschenberg decidiu levar o desenho ao branco completo, a partir do desenho. Apagou variados desenhos seus.
Mas aquilo não era nada - conta. Cada um parecia um Rauschenberg apagado. Para ser uma obra, teria de começar como arte. Tinha de ser um de Kooning. Uma coisa importante.
Rauschenberg foi ao estúdio do colega. Comprei uma garrafa de Jack Daniels e fui.
Depois de uma cena de espera e silêncio bastante tensa, com uma sombra de conflito, quando de Kooning trancou a porta com a tela que estava a pintar, de Kooning responde:
Tem de ser uma coisa de que eu sinta mesmo muita falta.
“You see how ridiculously you have to think, in order to make this work?” (Rauschenberg)
Vale a pena ver o vídeo do próprio Rauschenberg a contar o episódio, e o seu plano de trabalho, com o seu humor impossivelmente doce.
Já agora, como complemento para qualquer escrúpulo em relação aos cruzamentos nada/arte, humor/arte, e gostar/não gostar, será de ver o vídeo de Marcel Duchamp sobre o “gosto indiferente”.
Farsa com Farsa
Maio 12, 2008
A inteligência, por vezes, só pode responder à farsa no mesmo registo. O nosso dia começou na Antena 2, a ouvir Vitorino Magalhães Godinho comentando, com uma tristeza leve, o que viu nos programas escolares (diz-se novos) de Português e História.
Vi coisas… diz. Pedem-lhe que diga que género de coisas. Escolhe:
Olhe. Por exemplo. Vi uma coisa, no programa de Português, que era Estratégias de Audição. Mas que estratégias são estas? O que haverá em estratégias de audição? Eu julguei que só havia duas, que era ouvir às portas, e ouvir debaixo das mesas.
A Grande Radiofonia
Maio 10, 2008
[Esta nossa entrada, tão informativa que ela era, perdeu alguma eficácia no dia 20-5-2008, já que o blogue oficioso todo dedicado ao programa Theme Time Radio Hour foi desactivado na sua capacidade de transferência de ficheiros compactados do conteúdo dos programas, por uma queixa de violação de direitos de autor. Patrick Cosley explica (e actualiza a explicação). Um blogue português que preza as artes sente-se obrigado a concordar com a acção restritiva, porque quem ama as artes tem de amar também os direitos de autor. Só pode aceitar-se que o artista não tire a mão do pudim, nem da faca.]
[Entretanto, um amigo sem escrúpulos, que alimenta um amor dividido pelos direitos de autor e pelo seu produto, ele próprio autor espoliado, escreveu-nos a indicar outra ligação para material do programa Theme Time Radio Hour. Seremos coerentes com o já dito e... deixamos à consciência dos leitores os seus actos.]
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A maior ansiedade da indústria da divulgação é divulgar-se a si própria. Remunerar-se e remunerar os seus associados. Tudo serve, para continuar. Maria Felismina está grávida na primeira página, com poster do feto, ou o último grande êxito de Goma Xantana, que saiu ontem, já estão a ouvi-lo.
Nós aqui, sem fins lucrativos, não adiantamos nem temos de adiantar quando não temos nada a adiantar. Fazemos como Suze Rotolo - a namorada da capa de The Freewheelin’ Bob Dylan, o segundo disco, que fará 45 anos a 27 de Maio - que num aniversário do companheiro há muito afastado lhe desejou “Muitos mais anos e menos biografias”.
A Net não tem só defeitos. Com ela, e com o acesso digital, desvaneceu-se o poder de uma rádio portuguesa que passava em bateria a música como tempo de publicidade. Qualquer hipérbole valia, e depois, em ciclos de menos de uma hora, a dúzia de jingles dominantes rodava em contínuo, nas poucas estações que mandavam.
Os empregados das editoras liam pelos papéis que lhes mandavam traduzidos, ou que eles próprios transduziam. Repetiam saberes de ouvido. Historietas. Riam muito. E fizeram a sua vida. Cada super-êxito passava pontual e levava a sua multidão como carruagens do Metro.
Numa rádio que tinha uma memória histórica de alguns meses, Bob Dylan era sempre descrito como a curiosidade de 1961, ou um baladeiro dum além-Tejo americano. Mais umas piadas sobre a voz que não entendiam - num país em que a grande voz era um cantor de peitaça de opereta e reportório de bricabraque. (Quantas vozes tem Dylan?).
Nunca passaram daí. Agora que The Man é um dos temas maiores da sua cultura e chama à sua plateia todo o zoo artístico, o rádio de pilhas pequenino que foi essa rádio distribuidora fica à vista no seu tamanho real.
A dimensão da obra de Dylan que nos interessa aqui é a mais recente, e diz respeito à rádio. Dylan é o apresentador e senhor gerente de Theme Time Radio Hour. Viajando pela história da música popular americana e por uma escolha presente que a continua, com um tema diferente a cada programa de uma hora, ouvimos um contador de histórias e um grande ironista dos dilemas que vão sendo cantados.
Nós aqui descobrimos o programa através da hora com o título «Death and Taxes/Morte e Impostos», onde foi possível ouvir a definição de IRS do próprio Dylan, ou o gingão «I Paid My Income Tax Today», com Gene Autry e o trio de Jimmy Wakely (1942), «Tax Paying Blues», de J.B. Lenoir (1954), «Sunny Afternoon», dos Kinks, «Taxman», dos Beatles (ambas de 1966, ecos do cenário fiscal artístico do Reino Unido, que o anfitrião descreve); ou, ainda, canções com morte como «Freddie’s Dead», de Curtis Mayfield (1972), e «Rock ‘n’ Roll Suicide», de David Bowie (1972), todas alinhadas pelo melhor guia, em ambiente conversado e nocturno.

A conversa vai longa. O que queremos mesmo é enviar os amigos para um blogue de um dos admiradores tipicamente exaustivos de Dylan - e generosos - o músico canadiano Patrick Cosley, que gere Theme Time Radio Hour with Host Bob Dylan - um lugar todo dedicado ao programa, onde é possível fazer a descarga/download das duas temporadas já cumpridas, em pastas compactadas de ficheiros mp3 (zip). Quem sabe lidar com zipes, siga.
Aconselhamos também - mais uma expressão do gigantesco movimento em redor de Dylan - uma página exclusivamente dedicada à listagem de toda a música passada no programa e ao guião da locução (siga o link no blogue TTRH; ou vá directo para The Annotated Theme Time), como uma espécie de manual de serviço. Na Wikipédia, está disponível um artigo para cada uma das duas temporadas já cumpridas, e o elenco, canção a canção, de cada um dos 50 programas por temporada (alguns com duas horas), com datas e ligações aos artigos individuais dos autores, bem como aos artigos dedicados a algumas das canções (Temporada Um & Temporada Dois).
Cosley, também carinhosamente tratado por «Coz», tem o seu próprio blogue, que renasceu este ano, reformulado, depois de ter corrigido a sua política de publicação de gravações (para não infringir direitos da indústria). Assim, publica gravações não-oficiais, ou do domínio público. Tem já disponíveis gravações raras de Dylan, Neil Young, Joni Mitchel, Van Morrison, Rolling Stones, ou Jimi Hendrix e Leonard Cohen (o seu primeiro concerto, ou, melhor, recital de poesia com final à guitarra)… ou Bach. Junta também ligações para rádio de interesse histórico sonoro, curiosidades musicais, e curiosidades curiosas, do seu gosto mais privado.
Drama Pessoal será sempre um blogue com um olho para o teatro. Deixamos aqui o que diz sobre a arte cénica o próprio Bob Dylan, no primeiro volume da sua autobiografia, Chronicles/Crónicas:
Gostei do palco desde sempre, e, ainda mais, do teatro. Sempre me pareceu o trabalho artístico supremo, entre todos os trabalhos artísticos. Em qualquer ambiente, no salão de baile ou na rua, no pó de uma estrada do campo, a acção tinha sempre lugar num eterno “agora”.
Na Savana
Maio 7, 2008

O Zé, à hora do almoço e em geral, gosta de ser breve. Às vezes a conversa entra no grande plano. Pela hora do café, a existência está em revista.
O importante é sabermos que animal somos na savana. Que bicho és tu, na savana da luta primitiva?
Eu acho que sou um babuíno médio. Dou uns tabefes, deito mão a alguma coisa que me interessa, mas tenho de me afastar da sombra quando os violentos gritam ou descem das árvores. Tenho de cheirar o leopardo. De vez em quando, um de nós acaba na boca do grande gato.
Mas aventuro-me. E pronto. Um dia acabo debaixo de um jipe do turismo. E tu, sabes que bicho és, na savana?
- Eu ia a guiar o jipe, pá.
foto dramapessoal
Sei Quem Ela É
Abril 25, 2008

Esta é a miniatura da composição de uma entrada do blogue Em Terra Molhada, de violeta13. Sabemos quem ela é, mas não podemos elogiá-la por quem ela é, porque a sua energia pseudónima merece ser cuidada.
Quem ela é no blogue é que interessa aqui, com imagens que são mais escrita do que isto. Eis uma personagem que nos desarma (e revista) e às nossas ansiedades ortográficas e estilísticas e teóricas de encartados em Letras.
Ela é uma personalidade artística inteira, e tudo nas suas maneiras de fazer nasce do seu bricolage pessoal. Até a regra é toda interior. Escreve como quer e sempre soube, e fotografa da mesma maneira.
Na sua área profissional, está entre aqueles que o louvor só não vê por estarem altos e não ao nível do nariz e dos ouvidos. Nos vários níveis de bloguismo artístico possível, este é o mais alto e raríssimo entre nós: o da arte propriamente dita.
e toda a série de retratos animados dos dias próximos
& seguintes
Toca Bonito, Ben
Abril 4, 2008

Em cima, fotografia de polícia tirada em Fevereiro de 1956, redescoberta em 2004, durante a limpeza do armazém do Departamento do Xerife de Montgomery, Alabama, tirada aquando da repressão policial do boicote ao serviço de transportes públicos, que impunha a segregação racial nos autocarros. Martin Luther King Jr. tinha 27 anos.
Há quarenta anos a contar de hoje, as últimas palavras do Dr. King antes de ter sido baleado foram dedicadas à sua canção mais amada. Um hino com um poema humilde, que exige uma interpretação carregadíssima.
King falava da varanda para o saxofonista Ben Branch, no pátio do Lorraine Motel, em Memphis, Tennessee. O músico estava convidado para tocar no comício daquele dia. O Dr. King pedia-lhe que tocasse Precious Lord, Take My Hand, um tema de gospel de Thomas A. Dorsey que Mahalia Jackson, a convite de King, tinha cantado em encontros do movimento dos direitos cívicos.
“Ben, make sure you play Precious Lord, Take My Hand in the meeting tonight. Play it real pretty.”
versão online da entrevista de King à revista Playboy, 1965.
em vídeo:
Mahalia Jackson canta Precious Lord, Take My Hand.
Últimas palavras do discurso “I’ve been to the mountain top“, a 3 de Abril de 1968, véspera da morte.
O dia do Sr. Benjamin Franklin
Março 14, 2008
Temos um encanto pelo quadro das obrigações diárias que Benjamin Franklin registou na sua Autobiografia.
Os conferencistas do rendimento laboral terão razão quando lembram que a má gestão do tempo é o maior criador de tensão interior (vulgo stress), ou quando avisam que o dia de trabalho não pode começar com a leitura do correio electrónico, por criar-se uma cascata de desvios. Mas poucos falam menos que a hora do mínimo cobrável.
Pouco pode comparar-se com o escorreito quadro de tarefas diárias que Benjamin Franklin fez para si próprio.

Retrato (pormenor), por
Joseph-Siffred Duplessis (1725-1802)
O quadro foi de certeza cumprido, ou este Pai Fundador não teria tido tempo para inventar o pára-raios, as lentes bifocais, o odómetro (ou conta-quilómetros, originalmente aplicado a um carro de cavalos da distribuição postal), ou a primeira biblioteca pública para empréstimo de livros.
A Franklin se deve a expressão “Lembrai-vos de que tempo é dinheiro”. Mas também “Três guardam segredo se dois deles morrerem”. A mesma seriedade bem disposta produziu ditados políticos que continuam a alimentar o debate:
Uma sociedade que abdique de alguma liberdade para ganhar alguma segurança não merece nem uma nem a outra e há-de perder ambas.
Foi ele quem apontou a cerveja como prova de que Deus nos ama e nos quer felizes, e foram dele conselhos de almanaque como “Um homem embrulhado em si mesmo faz um embrulho bem pequeno”, ou o que Bob Dylan escolheu como um dos motes do seu programa de rádio (de que humildemente falaremos):
In this world nothing is certain but death and taxes.
Afinal, e já que temos falado pouco de teatro, tudo isto serve para lembrar um princípio geral deste velho Quaker, que muitas vezes nos ocorre, mas a respeito da arte de representar:
Não confundas movimento com acção.
Eis o Quadro (transcrito da tabela original):
Que Bem farei eu hoje?
Hora 5ª à 8ª
Erguer-me, lavar-me, e saudar a Poderosa Bondade.
Fazer lista dos trabalhos para hoje e tomar a Resolução do Dia.
Prosseguir o Estudo presente.
E pequeno almoço.
Hora 8ª à 12ª
Trabalhar.
Hora 12ª à 2ª
Ler, ou verificar as minhas contas, e almoçar.
Hora 2ª à 6ª
Trabalhar.
Hora 6ª à 10ª
Pôr as Coisas nos seus Lugares, Ceia, Música, ou Diversão, ou Conversação, Exame do Dia.
Pergunta da Noite:
Que Bem fiz eu hoje?
Hora 10ª à 5ª
Dormir.
Eles Se Pudessem
Março 9, 2008
Êles se
pudessem
eu nem água
beberia
27-12-91
Celebramos a retoma da publicação dos escritos de António da Silva Teixeira Electricidade na sua página própria com este recado íntimo, recolhido por nós numa folha solta, numa fase em que os textos já não eram abundantes, arrancados com os seus cartazes, lavados das paredes de pedra sem serem substituídos por novos.
Vamos agora publicar o Segundo Caderno, o maior, usado durante mais tempo. Agradecemos a todos os amigos que têm respondido com generosidade à experiência deste escritor de Lisboa. Vemos nele maior verdade que em muitos que querem dizer muito.
Frank
Fevereiro 28, 2008

Para ir mais além, é de ler “Frank Sinatra Has a Cold”, short story jornalística de Gay Talese, peça-emblema do Novo Jornalismo (mais novo agora do que então, comparado com a má ficção que o substituiu). Abril de 1966, revista Esquire… a work of rigorously faithful fact enlivened with the kind of vivid storytelling that had previously been reserved for fiction.
Na mesma revista, veja-se um exemplo recente de imaginação em comentário directo ao presente, no panfleto fictício de Matt Marinovitch Se um Estranho se Aproximar de Si com um Objecto Desconhecido. “If a Stranger Approaches You with a Foreign Object”.

