“Não fugir…” (Cristovam Pavia)

 

Não fugir. Suster o peso da hora
Sem palavras minhas e sem os sonhos,
Fáceis, e sem as outras falsidades.
Numa espécie de morte mais terrível
Ser de mim todo despojado, ser
Abandonado aos pés como um vestido.
Sem pressa atravessar a asfixia.
Não vergar. Suster o peso da hora
Até soltar sua canção intacta.

 

300.jpg

Odilon Redon, “Velho alado barbudo”, 1895 (pastel sobre papel).
Cristovam Pavia – Lisboa, 1933-1968.

 

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One thought on ““Não fugir…” (Cristovam Pavia)

  1. Li aqui por perto, “Uma grande notícia” e eu já tive hoje nas minhas mãos esse grande momento que foi docemente percorrer a linda reedição da tua Poesia.A tua Infância há-de retornar-te, tão só o poder do Tempo permita que te aconchegues em muitas, infinitas mãos que te entendam e sobretudo te amem como é necessário amar todos e todos os raros Poetas que buscaram o fim da dor, procurando essa Infância onde te encontras.
    “Um grande Livro”, leitores que escreveram sobre ti, e encontraram o teu sublime. FDC

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