Um Nocturno (Juan Luis Panero)

 

 

Às Vezes, Muito Raramente

 

Quando pouco na vida nos consola
do tempo, esse verdugo indiferente,
às vezes, muito raramente, na monotonia da noite,
entre repetidos sonhos, surge uma imagem
que reflecte o desejo que ali deixámos
e um rosto – a sua remota aparência – reconstrói
um intenso instantâneo da felicidade.
Quando tão misterioso privilégio nos chega,
despertarmos depois é viver o inferno:
não aquele jogo de chamas e demónios,
mas antes o demónio da luz de novo,
o fogo do primeiro cigarro.

 

 

 

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3 thoughts on “Um Nocturno (Juan Luis Panero)

  1. Bom, “fuguez” é muito interessante. “Fugacidade” é cordato e literato. Há quem procure na língua, e há quem faça aquilo de que precisa.

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