Nem com o tempo

 

Minibiografia

 

Não me quero com o tempo nem com a moda,
Olho como um deus para tudo de alto,
Mas, zás! do motor corpo o mau ressalto
Me faz a todo o passo errar a coda.

Porque envelheço, adoeço, esqueço
Quanto a vida é gesto e amor é foda;
Diferente me concebo e só do avesso
O formato mulher se me acomoda.

E, se a nave vier do fundo espaço
Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo:
Logo me leve, subirei sem medo
À cena do mais árduo e do mais escasso.

Um poema deixo, ao retardador:
Meia palavra a bom entendedor.

 

 

Lisboa. Rua da Misericórdia. Ao cimo, à esquina, o Teatro da Trindade.
Mãe e filha (poeta Luiza Neto Jorge), fotografia da década de 1950.

 

Advertisements

2 thoughts on “Nem com o tempo

  1. O trabalho aperta. Não há tempo nem cuidado para juntar palavras nossas. Ao menos temos poetas à margem da barulheira, e temos violeta13, com o seu talento para o golpe.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s