drama pessoal

Não é assim, de modo nenhum

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Richard Estes, “34th Street, Manhattan, looking east”, 1982

 

«Penso que o conceito popular do artista é o de uma pessoa que tem uma espécie de grande paixão e entusiasmo e emoção super. Lança-se na sua grande obra-prima e desfalece de exaustão quando termina. Não é assim, de modo nenhum. Geralmente é um processo bastante calculado, continuado e lento, durante o qual uma coisa se vai desenvolvendo. O efeito pode ser de espontaneidade, mas isso faz parte da montagem artística. Um actor pode fazer uma peça na Broadway durante três anos. Todas as noites exprime a mesma emoção, exactamente da mesma maneira. Desenvolveu uma técnica para fazer passar esses sentimentos e assim poder servir a ideia do espectáculo. Ou um músico, que pode não querer tocar aquele raio de música, mas agendou o concerto e tem de fazê-lo. Acho que o verdadeiro teste é planear alguma coisa e ser capaz de a levar mesmo até ao fim. Não que se esteja sempre entusiasmado. É apenas o ter de tirar aquilo para fora. Não se faz com as emoções que tenhamos. Faz-se com a cabeça.»

Richard Estes

 

Mais, do mesmo autor, em Artnet.

 

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