Longas Viagens Até ao Mesmo Lugar


[Actualizado com a viagem-vídeo de mota. Ver fundo.]

 

 

«No Verão, as pessoas estão diferentes, estão mais bonitas»

 

 

…Dizia uma jornalista, no ano passado, talvez antes de vender uns cremes, uns ginásios, uns resórtes e uns spás. Lá, onde tudo acontece, com tudo o que é preciso para ajudar a acontecer.

Ficou na memória.

 

 

Causa-nos repulsa, já se vê, este jornalismo de banca montada. A notícia de um veleiro encalhado, na barra de não-sei-onde, também não é notícia, é passatempo.

É nesta feira que o teatro tem de continuar a botar o seu cartaz, e tem até de ir falar, fazendo a sua venda e tentando manter alguma subtileza.

Conversa. Vamos dizendo isto para voltar ao ritmo da luz.

 

Uma série cómica de azares de Verão obrigou-nos a uma pausa, justamente quando queríamos ter feito algumas contra-viagens, nesta altura em que a chamada blogoesfera quase pára.

No repouso recomendado pela médica, revisitámos o memorial do lugar da morte de Pasolini, atrás da Vespa de Nanni Moretti, no filme Caro Diario (“Querido Diário”), de 1993. A volta silenciosa pela beira-mar lembra-nos qualquer coisa muito íntima.

Os de cá mais próximos costumam dizer da volta de Nanni: só não é Portugal por causa dos contentores do lixo com tampas laranja. Mas até desses nos lembramos, nós aqui. Da mesma cor das bóias de marcação.

 

 

[Actualização:]

Faça você mesmo a volta de mota. (Mais uma vez, talvez).

 

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2 thoughts on “Longas Viagens Até ao Mesmo Lugar

  1. este quadro é-me particularmente querido. não é a ideia do eterno e desejado retorno que prevalece quando se fala das viagens ao mesmo lugar. elas existem de facto, mas às vezes para atordoar um pouco a memória, como no teatro, quando falamos dos personagens que já iluminámos com a nossa luz rasca e um pouco difusa. o que prevalece aqui é a lambreta singular do Moretti. a sua passagem em surdina pela miséria humana, a fome criativa de Pasolini. e depois o rodado da banda sonora. Keith Jarret de automóvel seria bem menos letal. esta lambreta em silêncio é para os dias que correm como a almofada de Horácio na cabeça de Hamlet. antes da morte. e do Verão.

  2. Até parece que o Keith Jarrett está no concerto de Colónia a improvisar sobre a morte do pasolini, sobre o país das tampas cor-de-laranja dos caixotes de lixo, sobre o nosso país, sobre nós a seguirmos o nanni moretti.

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