Senhoras e Senhores

 

No nosso teatro abundam as memórias amargas. Não se fala muito disso.

Dorothy Parker juntou à crítica do espectáculo doses de pessimismo e humor, uma mistura que pode levar à melhor ironia (uma figura do discurso, e, acima de tudo, do pensamento, que, entre nós, muito poucos alcançam e muitos confundem com a inversão de sentido caricatural; mas essa é toda uma outra história).

“No intervalo depois do primeiro acto, acordei com a cessação da conversa, e fui fumar um cigarro para a rua. Por qualquer razão, uma vez à solta, não voltei para o segundo acto de Getting Married. (Ao Diabo. Agora já não tenho nada a perder. Este é o meu último compromisso, mais vale dizer-vos que não lhe fui fiel). (…)

 

E com esta peça, senhoras e senhores, acabam os meus labores. Os adeuses saem bem ditos depressa. Portanto agradeço-vos a todos muitíssimo, e, sendo certo que passei um tempo miserável, tenho muita pena de deixar-vos.”

 

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Dorothy Parker. Último artigo de crítica teatral para The New Yorker, 11 de Abril de 1931.

 

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