Pausa

 

 

Pausa. Tirando Sai, e outras assim curtas que pedem muito pouco, Pausa é a didascália mais vulgar, mais impessoal e mais vazia (cheia de possibilidade, para um actor) da escrita teatral do nosso tempo. Às vezes, é um fio de prumo num poço.

Celebramos o primeiro aniversário do lançamento em Dvd de Je Vous Salue, Marie, de Godard, e tencionamos falar disso. Entretanto, uma amiga actriz de palco pôs-se a interrogar pela razão de ser do seu trabalho, e é talvez esse mesmo o osso mais sensível do seu ofício. A fractura exposta do seu ofício. «Aceito a pausa, mas não vou tolerar mais do que isso», foi uma resposta possível. «Só posso mostrar-te alguns colegas na pausa deles. Estão como aquele parceiro que soube dessa vontade de parar e não te disse nada. Abraçou-te e andou. Porque sabe que nada mais passa e já lá esteve». Em palco ou fora dele, a pausa é trabalho.

 

Actores fotografados: Kristin Scott Thomas, Jeremy Irons, Ian McKellen, Julie Walters.

 

Fotografia: Simon Annand via Times Online

 

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2 thoughts on “Pausa

  1. São poucos os actores com pausa. Os que não adormecem no colo das palavras. Por isso, não poucas vezes, a pausa se transforma em menopausa. Ou seja, o discurso da pausa torna-se menor, afectado por uma interrupção súbita e brutal. Voltemos ao difícil mas maravilhoso enunciado de Beckett: “fazer o quê aos espaços vazios para quando desaparecidas as palavras?”…
    Kristin Scott Thomas é uma interrupção súbita e brutal. Mas é uma Pausa.

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