Polaróide (2)

 

«Tens Twitter?», perguntava-nos uma menina. «Não», dissemos. Mas podíamos ter respondido com um princípio do budismo Zen: «Não sigas o curso da mente do pássaro».
A lentidão deste blogue às vezes confrange-nos. Mas a maior parte dos blogues de que gostamos são bastante lentos. Graças a um desses, demos com esta fotografia.

 

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Trata-se de uma polaróide autêntica, com a sua ténue margem de fumo. Pertence a Rui Cambraia, artista plástico, fotógrafo e bloguista veterano, dos tempos em que os blogues não eram quase todos pré-formatados, como este (mais tempo poupado, para estar calado mais tempo).

O bloguista em causa é um caminhante, no velho sentido experiencial do termo. Pascoaes disse um dia que viajar num automóvel a quarenta quilómetros por hora era como cavalgar a cauda de um trovão. Este bloguista conhece o poder de ilusão da rapidez presente, e assim cultiva a fotografia mais básica, igual à do começo, conhecida como «pinhole» (ou, mais filologicamente, «fotografia estenopeica»). Cultiva a polaróide, ou a fotografia de revelação instantânea semelhante, que o fabricante Fuji parece querer continuar; para além da fotografia em película e digital, com ponto de partida para todos os caminhos no seu exílio de Portalegre.

No seu caminho de registo online, Rui Cambraia descartou o seu blogue original e mudou o nome e a forma deste mais ligeiro mais do que uma vez. A última mudança intriga-nos, mas recorda-nos o fascínio que temos por um botão no nosso próprio painel de gestão: Delete Blog (que já teve a mais eloquente fórmula: Delete this Blog).

Em vez de mostrar o rol das entradas anteriores, o blogue presente dispensou quase totalmente a memória. A página que está à vista forma a entrada única. A página pode não chegar a ser substituída, mas apenas renovada, com mais ou menos elementos. No painel lateral é possível activar um arquivo de imagens já publicadas, ou partir para as «Extensões» do blogue: para Photoshop.com (galeria de fotos), Polanoid.net (galeria de polaróides e instantâneas), e Pinhole Lab (blogue de actividades da fotografia «pinhole», ou seja: película+lente+caixa preta… +cabeça sensível à luz.

 

visitar Uma Vista Daqui

 

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One thought on “Polaróide (2)

  1. Não sei se na enorme verdade dos princípios zen a mente do pássaro não será um sinal de evasão, de não dependência. Mas o “twitter” e todas essas caixinhas mais ou menos merdosas onde todos deixam o seu lastro têm certamente a dimensão da mente do pássaro, são pequenas, rápidas e fugitivas. Quer isto dizer que não têm o sinal de liberdade que no princípio zen pode ser evocado, são as “love streams” do momento, sem a memória do elefante e sem o vôo do pássaro!

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