Azuis e Verdes Molhados

 

 

Reuniram em Guimarães, lugar desta foto, tirada meses mais tarde (há três dias). Alertaram com horror contra a divulgação nas escolas da entidade que designam por «sexo sem afectos», o que nos parece fazer alusão a uma forma de aproximação que custosamente muitos de nós temos tentado apurar, nem sempre com contentamento das partes, mas com os seus altos momentos de gratificação não susceptíveis de partilha verbal, muito menos social (curiosa, a conotação ascensional do adjectivo «altos»). Todavia, os que reclamam nunca fazem uma lista minimamente detalhada desses tais afectos que favoreceriam e sublimariam o contacto genital, que nem sequer os preocupará para toda a eternidade. Esse exercício, se bem que bastante interessante, parece-nos complexo, algo arriscado, mesmo para a imaginação livre, a qual, seja como for, não cultivam. Reclamam a sempiternidade do magistério católico, um fenómeno do século XIX, afinal.
Segundo Diarmaid MacCulloch, como já foi muito visto, a cristandade cauciona a posição social do macho heterossexual no quadro social ainda em vigor, assegurando-lhe as posições de liderança incontestada e respectiva escala hierárquica à imagem da Igreja. Parece que a ansiedade renovada deste tipo de conservadorismo cristão e «familiar» mais agressivo tem afinal raiz numa deslocação tectónica de toda a paisagem dos papéis sexuais.
Uma deslocação pouco sensível numa cidade de azuis e verdes molhados aprazivelmente limpa e semi-morta como Guimarães.

 

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