Eu sou a minha mãe

 

Uma das fraquezas da ficção dramática popular, para além do maniqueísmo católico que racha a sua colecção de tipos básicos em dois grupos, os justos e os perversos (há um terceiro grupo, o dos figurantes, parte dos quais falam), é a falta de um elemento de escrita que no teatro romântico dava pelo nome de «grande deixa»: a tensão de uma cena resolvida numa fala, ou numa riposta a uma fala.

 

Prusik-Parkin

 

O novaiorquino Thomas Prusik-Parkin foi recentemente forçado a levar à cena da sua própria vida este recurso estilístico, e fê-lo com eficácia. Foi acusado de falsificação de documentos, fraude, uso de falsa identidade, e etc, depois de ter usado peruca, vestido, maquilhagem e óculos escuros para se fazer passar pela própria mãe, falecida em 2003, e poder receber, em nome dela, cerca de 115 mil dólares em benefícios sociais e subsídios de renda.

Quando foi preso, declarou às autoridades: «Segurei a minha mãe nos meus braços enquanto morria, e respirei o seu último suspiro. Portanto, eu sou a minha mãe».

 

via BBC NEWS

 

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Frank

 

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“Whatever has been said about me is unimportant. When I sing, I believe.”
Frank Sinatra

 

Para ir mais além, é de ler “Frank Sinatra Has a Cold”, short story jornalística de Gay Talese, peça-emblema do Novo Jornalismo (mais novo agora do que então, comparado com a má ficção que o substituiu). Abril de 1966, revista Esquire a work of rigorously faithful fact enlivened with the kind of vivid storytelling that had previously been reserved for fiction.

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Na mesma revista, veja-se um exemplo recente de imaginação em comentário directo ao presente, no panfleto fictício de Matt Marinovitch Se um Estranho se Aproximar de Si com um Objecto Desconhecido. “If a Stranger Approaches You with a Foreign Object”.

 

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