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Robert Rauschenberg e o Quadro Apagado

Queremos saudar Robert Rauschenberg, que morreu na segunda-feira.

Lembramos a sua série Cardbird, que fez nascer formas de pássaro de cartões de embalagem rasgados, mas cartões montados, fotografados, impressos, recortados e colados em base de cartão para serem iguais a cartões rasgados, em formas de pássaro.

À parte a pintura, e as colagens, queríamos mencionar o seu “Erased de Kooning Drawing” (“Desenho de de Kooning apagado”).
Rauschenberg decidiu levar o desenho ao branco completo, a partir do desenho. Apagou variados desenhos seus.
Mas aquilo não era nada – conta. Cada um parecia um Rauschenberg apagado. Para ser uma obra, teria de começar como arte. Tinha de ser um de Kooning. Uma coisa importante.

Rauschenberg foi ao estúdio do colega. Comprei uma garrafa de Jack Daniels e fui.
Depois de uma cena de espera e silêncio bastante tensa, com uma sombra de conflito, quando de Kooning trancou a porta com a tela que estava a pintar, de Kooning responde:

Tem de ser uma coisa de que eu sinta mesmo muita falta.

“You see how ridiculously you have to think, in order to make this work?” (Rauschenberg)

Vale a pena ver o vídeo do próprio Rauschenberg a contar o episódio, e o seu plano de trabalho, com o seu humor impossivelmente doce.

Já agora, como complemento para qualquer escrúpulo em relação aos cruzamentos nada/arte, humor/arte, e gostar/não gostar, será de ver o vídeo de Marcel Duchamp sobre o “gosto indiferente”.